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Elementar, Caros Leitores

Acho que já adivinharam de quem se trata esse post. Sim, finalmente comecei a ler as obras de Sir Arthur Conan Doyle sobre o mais famoso detetive dos últimos tempos: Sherlock Holmes.

Aproveitei minha fase favorável à romances e séries policiais/investigativas e comecei a andar um pouco com o meu projeto. Comecei a com "Um Estudo em Vermelho", que conta como Watson conheceu Holmes e trata do primeiro caso que eles resolvem juntos.

De uma forma bem estranha, Sherlock é encantador, apesar de ser convencido e petulante. Ele tem sempre aquele ar de sabe-tudo e na maioria das vezes tem uma resposta sarcástica para refutar os outros inspetores da Scotland Yard.
Mesmo assim, há momentos em que ele é simpático e algumas vezes fica sem graça quando elogiam sua capacidade de observar e deduzir. Extravagante, tem meios de estudo não muito ortodoxos, sem contar que seus focos de pesquisa são aleatórios. Como o próprio Watson fica intrigado com tudo que Holmes sabe, mas também os tópicos mais básicos que ele ignora, este primeiro elaborou uma lista sobre os conhecimentos do companheiro de quarto, enquanto tentava descobrir sua misteriosa profissão:

1. Literatura: nada.
2. Filosofia: nada.
3. Astronomia¹: nada.
4. Política: fracos.
5. Botânica: variáveis. Conhece bem beladona, ópio e venenos em geral. Desconhece totalmente jardinagem.
6. Geologia: práticos, mas limitados. Reconhece, imediatamente, diferentes tipos de solo. Após suas caminhadas, mostra-me manchas de terra nas calças, sabendo dizer, pela cor e consistência, em que parte de Londres foram feitas.
7. Química: profundos.
8. Anatomia: precisos, mas sem método.
9. Literatura sensacionalista: imensos. Parece conhecer todos os detalhes de todos os horrores perpetrados neste século.
10. Toca violino bem.
11. É ótimo esgrimista, boxeador e espadachim.
12. Tem um bom conhecimento prático das leis britânicas.

Um Estudo em Vermelho, páginas 19-20.

¹ Sherlock não sabia que a Terra girava em torno do Sol;

Como os relatos são escritos por Watson, há momentos que não há muita profundidade nos pensamentos de Holmes, pois os que lemos são simples transcrições do que foi dito. Mas sem dúvida, esse detetive-consultor tem lugar cativo no meu coração e só de ver o como ele resolve os crimes, dá vontade de treinar minhas skills de observação.



Mas não sou apenas eu que estou passando pela fase Sherlock Holmes; atualmente, esse personagem tem aparecido em diversas releituras, tanto em séries de TV quanto em filmes, além da série de livros escrito por Andrew Lane -super fã das obras de Sir Arthur Conan Doyle-, que retratam Holmes adolescente.

Vamos começar falando da série Sherlock, da BBC. Nessa série, temos o clássico Holmes e o clássico Watson, cada um deles com personalidades bastante fiéis às retratadas nas obras. Mas, o tempo em que se passa a trama é o presente. Ou seja, computadores, laboratórios bem equipados e os dois escrevem um blog. Enquanto eu lia, as imagens da série vinham perfeitamente na lembrança e, de tudo que assisti relacionado a Sherlock Holmes, essa série é a que eu, particularmente, acho mais fiel. Até porque, os casos são baseados nos livros. Isso resulta em poucos episódios por ano -embora todos bem elaborados e com uma hora e meia de duração-; a terceira temporada vai começar em julho e eu mal posso esperar.

Logo em seguida, temos Elementary, da CBS. Aqui, Holmes está se recuperando do uso de drogas, muda-se de Londres para Nova Iorque e eis que seu pai contrata uma acompanhante de sobriedade que se chama Joan Watson. Sim, aqui temos UMA Dra. Watson. Eles convivem bem e Joan se acostumou bem rápido às esquisitices do seu "paciente". Diferente da série acima, aqui Sherlock é bem mais brincalhão e sedutor. Também tem lugar no tempo atual e, por isso, dispõe de tecnologias bem mais avançadas que às do livro. Como ele é consultor da polícia e há um episódio novo por semana, nem todos os casos são relatados em obras, embora seus amigos e inimigos levam os mesmos nomes e aparecem quase sempre.

Por fim, mas não menos importante, temos a série de filmes, estrelados por Robert Downey Jr e Jude Law. Esses se passam na época dos livros, com carruagens, vestidos bufantes e aparatos tecnológicos bem rudimentares. Já temos dois filmes lançados e o terceiro é esperado para novembro de 2014.

Acho que fica bem claro a fascinação por esse detetive de métodos duvidosos, de certeza sempre absoluta e de um gênio que, aparentemente, não é fácil desperta ainda hoje em pessoas de todas as idades. O que eu posso falar com toda certeza é que eu sou fã!

Você Sabia?

A tão famosa frase: Elementar, meu caro Watson não foi dita nenhuma vez por Sherlock Holmes nos livros escritos por Sir Arthur Conan Doyle, mas sim em um filme, que acabou marcando essa tão célebre frase como dita nas obras.


Resenha - Os Miseráveis

Sinopse: O fio condutor é o personagem de João Valjean, que, por roubar um pão para alimentar a família, é preso e passa dezenove anos encarcerado. Solto, mas repudiado socialmente, é acolhido por um bispo. O encontro transforma radicalmente sua vida e, após mudar de nome, Valjean prospera como negociante de vidrilhos, até que novos acontecimentos o reconduzem ao calabouço.

fonte: Skoob

A história começa retratando o encontro entre um bispo, muito sábio e caridoso, e um ex-condenado chamado João Valjean. E a partir desse encontro esta última personagem sofre uma mudança de caráter inimaginável. Assim, começamos a seguir a trajetória da sua vida assim como a de outros personagens que passam por ela.

"Então, a cabeça branca e venerável de João Vajean pendeu sobre a cama, aquele velho e estoico coração sentiu-se despedaçado, o rosto abismou-se-lhe, por assim dizer, no vestidinho de Cosette, e se alguém naquele momento tivesse passado pela escada teria ouvido assustadores soluços"


E isso é digno de nota: quantos personagens! Chegou um momento que eu confundia os que tinham nomes parecidos. Mas, apesar disso, todos eles são importantes e são amarrados na obra de tal modo que mais de uma vez eu pensei que não podia ser aquela pessoa que tinha chegado naquele lugar.
Há aqueles que cativam e pelos quais você torce pela felicidade como Cosette e o próprio João. Não que sejam os únicos que sofrem no decorrer do livro, mas pelo menos para mim, eu torcia desesperadamente que tudo desse certo no final.
Como não poderia faltar, tem-se os personagens detestáveis e insuportáveis e esse posto fica, sem dúvida, com o casal Thenardier. Tudo o que eles fazem é digno de raiva e de torcida desfavorável.

A obra retrata momentos históricos muito importantes na história francesa: a batalha de Waterloo e as revoltas de 1832. Para quem não gosta muito de cenas históricas, podem ter capítulos mais maçantes que outros, mas todos eles são válidos, tantos para a história da obra quanto para conhecimento de mundo.

Eu achei muito forte no livro a descrição tanto das pessoas como dos lugares em que elas viviam. E de repente o título do livro tomou um significado completamente diferente. Um noção de miséria que eu tenho não se compara com a realidade deles; eu não sei o que é passar frio, fome ou humilhação tão grande como a deles.
E, na minha humilde opinião, é o maior ponto do livro. A descrição das dificuldades e do como elas foram vencidas. Eu adorei a leitura, não é de vocabulário complexo e valeu cada pedacinho, mesmo aqueles que eu ficava com uma raiva imensa.

"Repitamos o grito: Luz! Mas repitamo-lo obstinadamente! Luz! Luz! Não são as revoluções, transfigurações?"


Confesso que o que mais me deu vontade de ler o livro foi o filme que será lançado muito em breve, no início de fevereiro. O filme aparenta ser uma super produção, com o formato de musical e que conta com a presença de muitos atores renomados, como Hugh Jackman, Russel Crowe, Anne Hathaway, Amanda Seyfried e Helena Bonham Carter. Quem está animado com a estreia?

Minha classificação final:



Coisas que talvez você queira saber

Autor: Victor Hugo;
Editora: Várias, mas a da ilustração acima, Cosac Naify;
Ano de Lançamento: 1862;
Páginas: 1280