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Resenha - Anna e o Beijo Francês

Sinopse: Anna Oliphant tem grandes planos para seu último ano em Atlanta: sair com sua melhor amiga, Bridgette, e flertar com seus colegas no Midtown Royal 14 multiplex. Então ela não fica muito feliz quando o pai a envia para um internato em Paris. No entanto, as coisas começam a melhorar quando ela conhece Étienne St. Clair, um lindo garoto -que tem namorada.Ele e Anna a se tornam amigos mais próximos e as coisas ficam infinitamente mais complicadas. Anna vai conseguir um beijo francês? Ou algumas coisas não estão destinadas a acontecer?



Fazia MUITO tempo que eu não ria tanto lendo um livro. Foi a primeira coisa que passou pela minha cabeça assim que eu terminei. De uma forma muito engraçada, Anna Oliphant nos conta como deixou sua casa em Atlanta para estudar em um internato em Paris, apenas para que seu pai pudesse mostrar aos amigos ricos que ele também tinha dinheiro.

Pequena nota: O pai da Anna foi inspirado no Nicholas Sparks, certo?


Muito contra vontade, ela se vê num país estranho, com uma língua que ela não domina e longe de seus amigos. E de Toph, seu rolinho deixado num cinema de sua cidade.

"É serio. Quem manda os filhos para um internato? É tão Hogwarts. Só que no meu não tem feiticeiros bonitinhos, balinhas mágicas ou aulas de voo."


Pode parecer muita loucura alguém que não goste da ideia de viver em Paris, somente a cidade mais romântica do mundo. Mas como a própria Anna diz, talvez ela só quisesse a possibilidade de ter escolhido onde cursaria seu último ano. Se sentindo abandonada, chorando através das paredes finas que separam os quartos, Anna faz sua primeira amiga na França: Meredith, sua vizinha de quarto. Muito amável, oferece à Anna um chocolate quente e uma companhia; até que, na saída, nossa narradora dá de cara um um garoto. Não um cara, mas o garoto mais lindo e sedutor que ela poderia encontrar na Europa. Étienne St. Clair é americano-inglês-francês com um sorriso de derreter a alma e o sotaque mais perfeito do mundo.

A relação dos dois, embora seja muito nítido que eles tem interesse um pelo outro, é sempre barrada ou por causa da namorada de St. Clair, Ellie, ou por causa do "namorado" de Anna ou porque Meredith também é apaixonada pelo amigo (assim como metade das meninas do colégio). A história tem muito vai-e-vem, as brincadeiras entre os dois e a amizade cresce página por página e mesmo quando alguém estraga tudo, é engraçado. Eles superam os próprios medos, a fim de colocar um rumo nessa relação. Claro que é super óbvio o desenrolar da história, mas não é ruim.

A leitura é leve, rápida e, como eu disse no começo, engraçada demais. Não é um livro perfeito. Por exemplo: eu devo ser muito lerda, porque mesmo no fim do livro eu entendi mais ou menos a relação entre St. Clair e seu pai. Além disso, tem algumas passagens que eu achei desnecessárias, mas que não comprometeram meu amor pelo livro.

"Por nós dois, a palavra casa não é um lugar. É uma pessoa. E nós, finalmente, estamos em casa."


Mais do que nunca, eu quero visitar Paris. A descrição detalhada dos lugares -e das comidas- me deixaram mais apaixonada ainda pela Cidade Luz. Estou morrendo para pisar no Marco Zero, para visitar uma creperia e, por que não?, ter um beijo francês. O livro é uma super indicação para quem não está a fim de ler algo pesado.

A autora tem mais um livro lançado no Brasil, Lola e o Garoto da Casa ao Lado -que definitivamente está na minha lista de próximas leituras- e ainda esse ano lançará seu terceiro livro: Isla and The Happily Ever After. Quem está contando os dias?

Minha classificação final:

Coisas que talvez você queira saber

Autora: Stephanie Perkins;
Editora: Novo Conceito;
Ano de Lançamento: 2011;
Páginas: 288

Resenha - Delírio

Sinopse: Muito tempo atrás, não se sabia que o amor é a pior de todas as doenças. Uma vez instalado na corrente sanguínea, não há como contê-lo. Agora a realidade é outra. A ciência já é capaz de erradicá-lo, e o governo obriga que todos os cidadãos sejam curados ao completar dezoito anos. Lena Haloway está entre os jovens que esperam ansiosamente esse dia. Viver sem a doença é viver sem dor: sem arrebatamento, sem euforia, com tranquilidade e segurança. Depois de curada, ela será encaminhada pelo governo para uma faculdade e um marido lhe será designado. Ela nunca mais precisará se preocupar com o passado que assombra sua família. Lena tem plena confiança de que as imposições das autoridades, como a intervenção cirúrgica, o toque de recolher e as patrulhas-surpresa pela cidade, existem para proteger as pessoas. Faltando apenas algumas semanas para o tratamento, porém, o impensado acontece: Lena se apaixona. Os sintomas são bastante conhecidos, não há como se enganar — mas, depois de experimentá-los, ela ainda escolheria a cura?

fonte: Skoob



Eu acho que estou tomando gosto por distopias, no fim das contas. Bem, Delírio retrata uma sociedade futurista em que o amor é considerado uma doença -Amor deliria nervosa- e desenvolveram um tratamento para isso. Aos dezoito anos, as pessoaa eram submetidas ao procedimento e estavam livres da doença. Mas todo o sentimento de ligação mais forte com irmãos, pais e filhos era perdido. Toda a sociedade vivia sob constante vigilância e o medo tinha o papel de manter todos na linha.

Lena, a protagonista, começa o livro como aquela menina certinha, que nunca responde grosseiramente e que tem que lidar com seus próprios fantasmas do passado. Criada pela tia, tudo que ela mais quer é ser curada e ser pareada com seu futuro marido. Sem maiores emoções, sem um passado constrangedor. Mas eis que ela conhece Alex. E tudo na sua vida muda. Tudo que ela julgava como certo, como verdade viram do avesso e ela tem uma decisão a tomar.

"Amor: uma palavra tão singular, uma coisa fina, não maior ou mais comprida que um gume. É o que isso é: um gume, uma navalha. Estabelecendo-se no centro de sua vida cortando tudo em dois. Antes e depois. O resto do mundo cai em ambos os lados."



Eu amei o livro do começo até o fim. Eu gostei da descrição que Lena faz tanto das pessoas quanto dos lugares, adorei a amiga dela, Hana, sem contar que eu simplesmente me apaixonei por Alex. A história é muito boa e, de pouco em pouco, vem aquelas revelações que tiram o fôlego e não dá para parar de ler; você tem que saber o que vem depois.

A autora tem uma leve e que flui. O desenrolar não foi nem arrastado, mas também não atropelou nenhum fato. Achei que a maior parte da ação real, aquela parte em que a adrenalina que o personagem sente parece passar para você está mais concentrada no final, o que pode ser um pouco chato para quem gosta de uma agitação.
O romance é tão lindo e tão fofo... fazia tanto tempo que eu não gostava de um casal como eu gostei deles. Até aquelas pessoas que não aparecem muito são cativantes e eu realmente queria ter visto muito mais da pequena Gracie -ela é fofa demais, mesmo sem abrir a boca mais do que duas vezes.

"Mas eu tenho um segredo. Você pode construir barreiras por todo o caminho para o céu e eu vou encontrar uma maneira de voar acima deles. Você pode tentar prender-me com cem mil armas, mas vou encontrar uma maneira de resistir. E há muitos de nós lá fora, mais do que você pensa. Pessoas que se recusam a parar de acreditar. Pessoas que se recusam a entender. As pessoas que amam em um mundo sem barreiras, pessoas que amam no ódio, na recusa, contra a esperança e sem medo. Eu te amo. Lembre-se. Eles não podem tirar isso."



Por mais que seja uma distopia, por mais que haja a representação do Estado opressor, da censura e do uso da religião como forma de contenção e medo, o foco do livro não a sociedade em si. Diferente de Feios, por exemplo, não há uma descrição tão detalhada dos costumes, do modo de vida e nem o por quê de tanta aversão ao amor. Pode ser que maiores explicações apareçam na continuação da trilogia, Pandemônio, com lançamento marcado para o primeiro semestre de 2013 e eu mal posso esperar para ler.

Para aqueles que gostaram muito, mais uma notícia boa: a Fox pediu um episódio piloto e podemos esperar ver a trilogia adaptada para a TV. Alguém ansioso?

Minha classificação final:

Coisas que talvez você queira saber

Autora: Lauren Oliver; Editora: Intrínseca;
Ano de Lançamento: 2012;
Páginas: 352

Resenha - Every Day

Sinopse: Every day a different body. Every day a different life. Every day in love with the same girl. A has no friends. No parents. No family. No possessions. No home, even. Because every day, A wakes up in the body of a different person. Every morning, a different bed. A different room. A different house. A different life. A is able to access each person's memory, enough to be able to get through the day without parents, friends, and teachers realizing this is not their child, not their friend, not their student. Because it isn't. It's A. Inhabiting each person's body. Seeing the world through their eyes. Thinking with their brain. Speaking with their voice. It's a lonely existence--until, one day, it isn't. A meets a girl named Rhiannon. And, in an instant, A falls for her, after a perfect day together. But when night falls, it's over. Because A can never be the same person twice. But yet, A can't stop thinking about her. She becomes A's reason for existing. So each day, in different bodies - of all shapes, sizes, backgrounds, walks of life - A tries to get back to her. And convince her of their love. But can their love transcend such an obstacle?

fonte: Skoob



Como vocês devem ter percebido, depois de muito tempo, li um livro inteiro em inglês de novo. Eu demorei muito mais tempo do que é normal para mim, o que é um sinal que eu preciso treinar mais minha leitura. Vamos começar primeiro com a história: A acorda em um corpo diferente todo dia. Garoto ou garota, alto ou baixo, popular ou não, a única constante é que sempre assume o corpo de alguém que tem a sua idade. Para que ninguém suspeite, A é capaz de acessar as memórias necessárias para sobreviver ao dia, até que ele mude de corpo, a meia-noite.

É uma jornada bem solitária e A se esforça para não criar conexões, para não sair dos trilhos com a vida daquele ser humano que ele está habitando. Até que um dia ele encontra a namorada do rapaz em que está habitando naquele dia: Rhiannon torna-se indispensável para A desde o primeiro instante que é vista e A se apaixona perdidamente por ela. Assim, dia após dia, Rhiannon se vê cercada por rostos diferentes, dizendo o quanto ela é especial e o quanto é amada.

"Eu me pego sorrindo enquanto ela se aproxima e ela sorri de volta. Simples assim. Simples e complicado, como a maioria das coisas são. Eu me pego procurando por ela após o segundo período e, de novo, depois do terceiro e do quarto período. Eu não posso nem controlar. Eu quero vê-la. Simples. Complicado."



Para começar, não tem como saber se A é um menino ou uma menina. Simplesmente vive diferentes vidas, uma por dia, sem se sentir estranho em nenhuma delas. E isso foi uma dos pontos que eu mais gostei no livro: o autor teve a oportunidade de tratar dos mais diversos assuntos num único livro porque a cada capítulo, ele podia descrever uma história completamente nova. David Levithan tratou de personalidades e histórias chocantes e polêmicas, especialmente considerando que todos tem mais ou menos dezesseis anos. Há envolvimento com drogas, há acidentes trágicos e um velório; há divergências religiosas e comportamentais. Há diversos casais homossexuais e não tem nenhum preconceito envolvendo isso -mesmo que Rhiannon ficasse um pouco sem jeito quando A assumia a forma de uma garota.

Quando esses dois se encontram, ambas as vidas tem uma reviravolta considerável, já que A para de se preocupar tanto com os corpos que está habitando e passa a viver mais em função do seu amor, enquanto ela tenta assimilar seus sentimentos por A, mas também a dificuldade que existe, pois eles podem acordar separados por milhas e milhas de distância e, queira ou não, ela nunca poderá ter uma vida normal se decidir acompanhar A; ela vai ter que ficar sempre esperando por e-mail, dizendo se naquele dia eles poderão se encontrar ou não.

Eu realmente achei toda essa fixação da parte de A um tanto massante e chata. Em alguns momentos, não conseguia respeitar o espaço dela e queria, de qualquer modo, que ela desistisse de tudo porque o amor que ela recebia deveria ser suficiente. É uma opinião muito pessoal, mas eu não gosto nenhum pouco dessa pressão diante de um caminho tão tortuoso e sem garantias. Porém, A não é um personagem que eu não gostei e muitos dos seus pensamentos são profundos e valem uma reflexão, pois como ele mesmo coloca, ele tem a possibilidade de conhecer muitos tipos de realidades e de adversidades. Quando perguntado qual a sua vida favorita, ele responde:

"Um vez, eu estava no corpo de uma garota cega. (...) Eu não sei se a vida dela foi minha favorita, mas eu aprendi mais com ela em um dia do que eu aprendi com a maioria das pessoas em um ano. Isso me mostrou o quão arbitrário e individual é a forma que experimentamos o mundo. Não apenas nossos outros sentidos são mais afiados, mas também encontramos formas de navegar o mundo, independente da forma em que ele nos é apresentado"



Eu perdi um pouco a vontade de ler lá pela metade do livro porque eu me senti um pouco perdida e parecia que aqueles capítulos não tinham tanto sentido. Mas quando o final foi se aproximando, tudo fica mais claro e os pensamentos de A acabam levando a um lugar, a uma meta. O final foi, para mim, maravilhoso e o único possível para a história ser ótima. A própria ideia em si já produzia uma curiosidade e David soube trabalhar bem com isso. Eu considerei o nível de inglês médio.
Para aqueles que não querem ler em inglês, os direitos de publicação foram comprados pela Galera Record e a publicação está confirmada para 2013.

Minha classificação final:

Coisas que talvez você queira saber

Autor: David Levithan;
Editora: Alfred A. Knopf Books for Young Readers;
Ano de Lançamento: 2010;
Páginas: 336



* Todas as traduções desse post foram livres e feitas por mim.

Resenha - Orgulho e Preconceito

Sinopse: Na Inglaterra do final do século XVIII, as possibilidades de ascensão social eram limitadas para uma mulher sem dote. Elizabeth Bennet, de vinte anos, uma das cinco filhas de um espirituoso, mas imprudente senhor, no entanto, é um novo tipo de heroína, que não precisará de estereótipos femininos para conquistar o nobre Fitzwilliam Darcy e defender suas posições com perfeita lucidez de uma filósofa liberal da província. Lizzy é uma espécie de Cinderela esclarecida, iluminista, protofeminista. Neste livro, Jane Austen faz também uma crítica à futilidade das mulheres na voz dessa admirável heroína — recompensada, ao final, com uma felicidade que não lhe parecia possível na classe em que nasceu.

fonte: Skoob



A princípio, queria ler Orgulho e Preconceito só pela curiosidade de conhecer um dos clássicos britânicos mais famosos e tentar entender porque tantas pessoas eram apaixonadas por ele.

Tenho que confessar que eu sabia bem pouco da história -apenas os nomes dos personagens centrais- e não sabia a relação da narrativa com título. Quando eu comecei a ler, não me senti muito atraída, talvez até por não ser um tipo de leitura a que eu estou acostumada. Mas no decorrer da história, não tem como não se encantar com Elizabeth, a protagonista da trama. Dona de uma vivacidade e conceitos não muito próprios para a época, é a favorita do pai -Mr. Bennet- e da irmã mais velha, Jane. Tem um ótimo coração e deseja ver a felicidade da família, bem como a mudança de caráter de alguns parentes.

"Em vão venho lutando comigo mesmo; nada consegui. Meus sentimentos não podem ser reprimidos e preciso que me permita dizer-lhe que eu a admiro e amo ardentemente."

Discurso de Mr. Darcy para Elizabeth. Será que ela o corresponde?



Outro personagem, tão importante quanto Elizabeth para o desenrolar dos fatos, é Mr. Darcy, importante nome da sociedade inglesa, com terras, dinheiro e influência. No começo, sua postura é insuportável de tão mesquinha e orgulhosa. Mas com o passar dos capítulos, mostra-se uma mudança grande nas ações deste e é claro que o fator propulsor disto é o amor. Conforme essa paixão ia sendo trabalhada, mais eu me apaixonava pelo livro e pela escrita de Jane Austen.

Fica bem claro, conforme se sucedem as cenas, a razão do nome do livro. Tanto o orgulho quanto o preconceito de várias pessoas levam a quase infelicidade dos personagens, me levando a concordar com um dos trechos da fala de Mary -uma das irmãs Bennet- sobre o assunto:

"O orgulho, observou Mary, que se vangloriava da solidez de suas reflexões, é um defeito muito vulgar, creio eu. Depois de tudo que li, estou deveras convencida da sua vulgaridade, que a natureza humana lhe é particularmente atreita e que são raros aqueles entre nós que não nutrem um sentimento de condescendência própria baseado numa ou outra qualidade, real ou imaginária"

Um dos discursos sólidos de Mary.



Mas nem só de pessoas amáveis é feito o livro. Há também aqueles que despertam uma certa raiva como a mãe das meninas, por exemplo. Mrs. Bennet é exagerada, volúvel, de pouca delicadeza e só consegue sonhar em conseguir bons maridos para todas as filhas.
Mr. Collin é outro exemplo de pessoa detestável. Primo da família Bennet, sempre pensa que é melhor que os outros, que detém propriedade para falar sobre determinados assuntos, é maçante, exagera nas desculpas e nos elogios e não consegue ficar calado.
Mr. Wickham é o último daqueles que me deixou com raiva. Mentiroso descarado, de má índole e que por muito pouco não deixou na desgraça a família de Elizabeth. A princípio, é normal achar que ele é um senhor gentil e que sofrera uma terrível injustiça. Mas assim que se descobre seu real caráter, não tem como não achá-lo patético.

Algo que me incomodou um pouco foi a falta que eu senti de descrições mais aprofundadas sobre aspectos físicos de pessoas e de lugares; não que isso tenha atrapalhado minha consideração final da obra, já que ela é -sem dúvidas- uma das minhas favoritas de agora em diante. É muito bom entender, um pouco que seja, da mentalidade da época, muito diferente da nossa hoje. Quem nunca teve vontade de, pelo menos uma vez, ir a um daqueles bailes?

A obra de Jane Austen ganhou, em 2005, adaptação para o cinema, com Elizabeth sendo interpretada por Keira Knightley e Mr. Darcy por Matthew Macfadyen. Eu nunca cheguei a assistir o filme, então não posso dizer se é fiel à obra ou não.

O livro ganhou o meu amor e com certeza é uma ótima indicação para quem quer um romance histórico ou um clássico da literatura.

Minha classificação final:

Coisas que talvez você queira saber

Autor: Jane Austen;
Editora: Várias, mas da ilustração acima, Abril Coleções;
Ano de Lançamento: 1813;
Páginas: 427



Resenha - A Revolução dos Bichos

Sinopse: Verdadeiro clássico moderno, concebido por um dos mais influentes escritores do século 20, "A Revolução dos Bichos" é uma fábula sobre o poder. Narra a insurreição dos animais de uma granja contra seus donos. Progressivamente, porém, a revolução degenera numa tirania ainda mais opressiva que a dos humanos Escrita em plena Segunda Guerra Mundial e publicada em 1945 depois de ter sido rejeitada por várias editoras, essa pequena narrativa causou desconforto ao satirizar ferozmente a ditadura stalinista numa época em que os soviéticos ainda eram aliados do Ocidente na luta contra o eixo nazifascista. De fato, são claras as referências: o despótico Napoleão seria Stálin, o banido Bola-de-Neve seria Trotsky, e os eventos políticos - expurgos, instituição de um estado policial, deturpação tendenciosa da História - mimetizam os que estavam em curso na União Soviética. Com o acirramento da Guerra Fria, as mesmas razões que causaram constrangimento na época de sua publicação levaram A Revolução dos Bichos a ser amplamente usada pelo Ocidente nas décadas seguintes como arma ideológica contra o comunismo. O próprio Orwell, adepto do socialismo e inimigo de qualquer forma de manipulação política, sentiu-se incomodado com a utilização de sua fábula como panfleto.

fonte: Skoob



A história começa na Granja Solar, local onde vários animais trabalham para um humano chamado Jones. Esse homem é um tirano bêbado que pouco ou nada se importa com as criaturas que vivem ali. Logo no início, um dos porcos, chamado Major reúne todos para que escutem sobre um sonho que ele teve. Major sonhara com uma revolução e que, através dela, acabariam com a soberania humana e poderiam enfim viver numa sociedade igualitária, com os bichos produzindo apenas para si mesmos, sem exaustão e sem lucro.

A ideia pareceu boa aos ouvidos de todos os animais, principalmente àqueles com uma inteligência um pouco mais desenvolvida -os porcos-. Durante alguns meses, eles andaram pela granja tentando convencer os animais a aderirem ao movimento, mostrando o quanto seria proveitoso para todos se esta acontecesse. Um dia, por descuido de todos os trabalhadores da granja, os bichos ficam sem comida e acabam se rebelando.

"Nascemos, recebemos o mínimo de alimento necessário para continuar respirando e os que podem trabalhar são forçados a fazê-lo até a última parcela de suas forças."

Parte do discurso de Major, após seu sonho.



Finalmente conseguiram expulsar os humanos! E assim começa a primeira experiência do Animalismo na história. Os porcos assumem o papel de comandar assembleias em que o destino da granja, agora chamada "Granja dos Animais" e a função de cada um seriam decididos. Elaboraram 7 Mandamentos que deveriam ser seguidos à risca. Mas com o passar do tempo, os líderes porcos se corromperam e passaram a agir de maneira muito pior do que Jones e seus homens. No final, tudo aquilo pelo que lutaram estava destruído e até os Mandamentos foram mudados para atender as vontades daqueles que detinham o poder.

Aparentemente, essa história pode se passar por infantilidade mas é preciso estar atento às entrelinhas. Como muitos sabem, a história narrada é uma referência à situação pela qual a Rússia passava, após a Revolução de 1917. Major é associado á figura de Lenin, Bola-de-Neve é associado à Trotsky -era o porquinho mais engajado no melhoramento da granja- enquanto Napoleão era a figura de Stalin. Há, portanto, uma crítica muito forte ao stalinismo mostrando que, embora se rotulassem como socialistas, muito pouco foi pensado sobre o povo nas ações tomadas pelo governo.

"Animal nenhum deve morar em casas nem dormir em camas, nem usar roupas, nem beber álcool, nem fumar, nem tocar em dinheiro, nem fazer comércio. Todos os hábitos do Homem são maus. E, principalmente, jamais um animal deverá tiranizar outros animais. Todos os animais são iguais."

Ainda um trecho do discurso de Major.



É bem forte no livro a presença de Garganta, o porco responsável por conseguir amenizar a situação na fazenda com o poder da lábia. Além disso, há uma série de mudanças na história real sobre o que aconteceu durante a revolução e o que é mais revoltante: todos engolem as histórias contadas. Os cavalos preferem trabalhar à pensar mais sobrem o passado; as ovelhas só querem balir que "Quatro pernas bom, duas pernas ruim." ou, mais adiante "Quatro pernas bom, duas pernas melhor"; e os cães apenas andam atrás dos porcos.

Todos os mandamentos acabam distorcidos, até que, por fim, o mais importante deles é alterado de "Todos os animais são iguais" para "Todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais do que outros."

Com certeza, essa é uma leitura obrigatória porque nos coloca para pensar como, mesmo hoje, somos pouco críticos; como nos deixamos levar por sombras de ameaças; como preferimos seguir nossas vidas do que parar para analisar uma situação e lutar por direitos, por melhorias. Quantas vezes somos egoístas o bastante para não olhar do lado e ver a bagunça em que nos encontramos?

"As criaturas de fora olhavam de um porco para um homem, de um homem para um porco e de um porco para um homem outra vez; mas já se tornara impossível distinguir quem era homem, quem era porco."

Parágrafo final da obra.



Bom, já escrevi muito, dei minha opinião talvez mais do que deveria e só queria encerrar reafirmando: o livro é ótimo, de linguagem fácil e muito bom de se ler quando temos o cenário histórico no fundo; super recomendação para o ano que está começando.

Minha classificação final:

Coisas que talvez você queira saber

Autor: George Orwell;
Editora: Várias, mas da ilustração acima, Companhia das Letras;
Ano de Lançamento: 1945;
Páginas: 152



* Você sabia? George Orwell também é autor do livro 1984, distopia muito famosa que serve de crítica tanto para a sociedade dele quanto para a nossa. Além disso, A Revolução dos Bichos tão tem seu formato cinematográfico, lançado em 1999. Assisti há muito tempo e por isso não me lembro bem, mas não vale a pena trocar o livro pelo filme.

Resenha - Um Dia

Sinopse: Dexter Mayhew e Emma Morley se conheceram em 1988. Ambos sabem que no dia seguinte, após a formatura na universidade, deverão trilhar caminhos diferentes. Mas, depois de apenas um dia juntos, não conseguem parar de pensar um no outro. Os anos se passam e Dex e Em levam vidas isoladas - vidas muito diferentes daquelas que eles sonhavam ter. Porém, incapazes de esquecer o sentimento muito especial que os arrebatou naquela primeira noite, surge uma extraordinária relação entre os dois. Ao longo dos vinte anos seguintes, flashes do relacionamento deles são narrados, um por ano, todos no mesmo dia: 15 de julho. Dexter e Emma enfrentam disputas e brigas, esperanças e oportunidades perdidas, risos e lágrimas. E, conforme o verdadeiro significado desse dia crucial é desvendado, eles precisam acertar contas com a essência do amor e da própria vida.

fonte: Skoob



Bom, Um Dia é um livro que eu era louca para ler, mas toda vez que ia comprar um livro, acabava optando por outro e assim foi, até que eu ganhei o meu de presente. Eu literalmente devorei sem piedade aquelas páginas e não me arrependi. É certo que já tinha assistido o filme e por isso as grandes surpresas se estragaram, mas mesmo assim... Foi tão bom quanto esperava!

A vida de Emma e Dexter nos é contada a partir da formatura de faculdade deles, dia 15 de julho de 1988 e, a partir desse dia, os dois conseguem construir uma amizade linda, verdadeira e apaixonante. Ano a ano, vê-se as pequenas transformações que acontecem em suas vidas e o quanto a presença de um para o outro é extremamente importante e necessária.

Emma, por vários anos, leva uma vida pouco movimentada, trabalhando num lugar que ela detesta e namorando uma pessoa que ela não ama. Dexter, por sua vez, está sempre vivendo no seu limite, saindo com quantas garotas for possível e acreditando que está no caminho certo. Mas, conforme os anos passam, quem lê tem cada vez mais certeza de que algo está muito errado, pois nenhum dos dois está satisfeito com suas escolhas.

O que mais me marcou no livro foram as sensações de melancolia e de frustração, presentes quase que sempre no decorrer da história. Por mais que seja um romance, realmente me colocou pra pensar porque eu me irritei muito com a falta de atitude deles mas não tenho certeza se eu reagiria, caso a minha vida estivesse nesse caminho.

Outro ponto bem interessante é perceber que, mesmo sem querer, as prioridades, os pensamentos e até mesmo as crenças das personagens vão mudando no transcorrer das páginas, o que foi bem explicado por Tony Parsons na primeira página do livro: "Um Dia" é " um livro brilhante sobre o assombroso hiato entre o que éramos e o que somos".

O único ponto que realmente me deixou irritada no livro foi que David Nicholls detalhou tão bem algumas cenas e deu tão pouco atenção para uma passagem MEGA importante... Foi muito frustrante e eu realmente me decepcionei um pouquinho com aquela página. Mas eu acredito que esse deslize foi -em partes- compensado nos capítulos seguintes.

Para os que assistiram o filme, a leitura é mais que recomendada, obviamente, por conter cenas que não são mostradas no filme E por causa das cartas trocadas entre os dois -o capítulo 3 é tão perfeito que não tenho palavras para explicar-. É uma leitura boa, gostosa e que ao mesmo tempo pode te fazer pensar um pouco.

Minha classificação final:

Coisas que talvez você queira saber

Autor: David Nicholls;
Editora: Intrínseca;
Ano de Lançamento: 2009
Páginas: 410



fonte dos gifs: todos pesquisados no weheartit, aqui e aqui